Por que histórias como a da jornada do herói se repetem em culturas que nunca tiveram contato entre si? Para Carl Jung, a resposta está nos arquétipos, e entendê-los muda a forma como você enxerga suas próprias emoções e escolhas.
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Antes de definir com consistência o que são os arquétipos e símbolos de Carl Jung, é importante entender como ele dividiu a psique.
Segundo Jung, o inconsciente é formado por duas camadas. A mais superficial ele chamou de inconsciente pessoal: seus conteúdos são adquiridos de forma individual, formam parte da personalidade de cada um e podem se tornar conscientes.
A camada mais profunda é o inconsciente coletivo: seus conteúdos são de ordem impessoal e coletiva, uma base da psique presente em todas as culturas e povos.
Jung observa que o inconsciente, em suas profundidades, mantém conteúdos de caráter coletivo em estado relativamente ativo, e por isso o classificou como inconsciente coletivo.
Quer entender o que isso significa na prática? Siga a leitura.
Neste artigo você vai ver
- O que são arquétipos junguianos
- Como usar arquétipos
- A importância dos arquétipos e símbolos na visão junguiana
- Os 12 arquétipos mais conhecidos
- Conclusão
O que são arquétipos junguianos
Arquétipos junguianos são componentes impessoais e coletivos da psique que se apresentam como formas herdadas. São sedimentos de experiências constantes da humanidade, que tendem a ser vividas pelo ser humano de forma repetitiva.

De forma geral, os arquétipos e símbolos de Carl Jung são traços e qualidades herdados e compartilhados por todas as pessoas. Diferente do inconsciente pessoal, o inconsciente coletivo não se desenvolve individualmente, ele é herdado.
Arquétipos na mitologia e nos contos
Enquanto imagens, os arquétipos são facilmente identificados na mitologia, nos contos de fadas e nas lendas populares das mais variadas culturas.
É aí que aparecem situações como a “jornada do herói” e a “luta contra os monstros para salvar princesas”, e também as figuras que se repetem nos panteões mitológicos: deuses guerreiros, deuses do amor, a grande mãe, entre outros.
Um mesmo arquétipo pode gerar muitos símbolos diferentes. Um dos mais estudados é o arquétipo da mãe: ele não se refere apenas à mãe da nossa realidade concreta, mas envolve símbolos como a bruxa, a nutridora, a natureza e a virgem.
Arquétipos, complexos e neurose
Esses símbolos têm a capacidade de ativar os complexos, que impulsionam a psique e mantêm a ideia de evolução. Por outro lado, podem também paralisar e gerar neuroses, principalmente quando a pessoa não aceita seus complexos e resiste a eles.
“O fato de ter complexos não implica uma neurose, pois normalmente são os complexos que deflagram o acontecimento psíquico, e seu estado dolorido não é sinal de distúrbios patológicos. Sofrer não é uma doença, mas o polo oposto normal da felicidade. Um complexo só se torna patológico quando achamos que não o temos.”, Carl Jung
Sobre arquétipos e inconsciente coletivo, Jung ainda observa:
“Há tantos arquétipos quantas situações típicas na vida. Intermináveis repetições imprimiram essas experiências na constituição psíquica, não sob a forma de imagens preenchidas de um conteúdo, mas precipuamente apenas formas sem conteúdo, representando a mera possibilidade de um determinado tipo de percepção e ação. Quando algo ocorre na vida que corresponde a um arquétipo, este é ativado e surge uma compulsão que se impõe a modo de uma reação instintiva contra toda a razão e vontade, ou produz um conflito de dimensões eventualmente patológicas, isto é, uma neurose.”, Carl Jung
Em resumo: os arquétipos são formas preexistentes, que só podem ser nomeadas e representadas quando chegam à consciência, e isso acontece por meio de imagens. A manifestação de um arquétipo é absolutamente pessoal, mas a base intuitiva é igual para todas as pessoas.
Como usar arquétipos
Os arquétipos exercem grande influência sobre nossas emoções e ações, de forma consciente ou inconsciente, e independente do nosso desejo. É algo que simplesmente acontece.
Os arquétipos podem se apresentar por meio de:
- Símbolos
- Imagens
- Cheiros
- Sons
- Comportamentos
Quando um produto é associado a um arquétipo, quem recebe o estímulo faz uma conexão automática entre os dois, a chamada neuroassociação.
Um exemplo simples: pense na figura de um cachorro. Automaticamente surgem associações como fidelidade, obediência e amizade. Já a figura de um gato evoca independência e autoestima.
Essas associações fazem parte do inconsciente coletivo, tanto que marcas que usam o símbolo de um cão no logotipo querem exatamente que aqueles significados fiquem atrelados a elas. A associação envia uma mensagem ao inconsciente, que aproxima a pessoa da representação proposta.
Conhecer os arquétipos e símbolos de Carl Jung pode ajudar você a:
- Entender o que motiva as pessoas na decisão de compra
- Perceber formas de engajar mais os consumidores de uma marca
- Conduzir leads por um funil de vendas com estímulos assertivos
- Transformar leads em potenciais fãs
A importância dos arquétipos e símbolos na visão junguiana
O símbolo não é apenas criação literária ou invenção pessoal, é, acima de tudo, uma propriedade da condição humana. Todo pensamento e toda ação consciente podem ser resultado de um processo inconsciente de simbolização.
Por isso o símbolo é um veículo de comunicação entre a psique individual e o inconsciente coletivo, e entre o consciente e o inconsciente. É nesse território que os arquétipos ganham forma.
Segundo Jung, os arquétipos não são ideias herdadas, mas possibilidades herdadas. Eles não se determinam pelo conteúdo, e sim pela forma.
Mitos: símbolos em evolução
Os mitos, nessa leitura, são recordações ancestrais de situações naturais e culturais, expressões simbólicas de sentimentos e atitudes inconscientes de um povo.
Conforme a humanidade vive novas experiências e adquire novas habilidades, os mitos se tornam novos símbolos, que passam a exprimir a força dos arquétipos primordiais. É um ciclo evolutivo.
A agricultura ilustra bem: quando o ser humano entendeu que podia cultivar e cuidar da terra, ganhou acesso a mais frutos e mais conhecimento. Mitos como o de Deméter são grandes representações do arquétipo da mãe em uma sociedade agrícola.
Existem muitos arquétipos, muitos mesmo. Mas 12 deles são considerados os mais básicos, divididos em 4 grupos ligados aos principais impulsos humanos. Veja no próximo tópico.
Os 12 arquétipos mais conhecidos
Os 12 arquétipos podem ser organizados em 4 grupos, cada um ligado a um impulso humano fundamental:
1. Mestria e risco, deixar uma marca no mundo
É quando queremos fazer algo notável e ser lembrados por isso; quando lutamos pelos nossos sonhos.
- Herói: quando ativado, se fortalece diante do desafio e não se conforma com a injustiça.
- Fora da lei: também conhecido como “revolucionário”. É a sedução pelo fruto proibido, aberto a qualidades sombrias que não são bem vistas socialmente.
- Mago: representa a busca pelos princípios que regem o funcionamento das coisas, e a capacidade de colocá-los em prática para fazer acontecer.
2. Independência e autorrealização, conhecer o verdadeiro eu
É o desejo de refletir, buscar a própria verdade e se realizar por si.
- Inocente: quando ativado, a pessoa se sente atraída pela certeza, cultiva ideias positivas e se mantém esperançosa.
- Explorador: estimula a pessoa a explorar o mundo ao redor, e, nesse processo, a se entender melhor.
- Sábio: desperta o anseio de aprender pelo simples prazer de aprender, com forte motivação e interesse pelo conhecimento.
3. Pertencimento e conexão, fazer parte de um grupo
É o impulso de se conectar e se enquadrar junto aos outros.
- Bobo da corte: quando ativo, a pessoa quer se divertir. É a busca pela recuperação do espírito brincalhão da infância.
- Cara comum: a pessoa adota o que não foge ao comum; seu objetivo é a igualdade e o pertencimento.
- Amante: o desejo de conexão profunda, pessoal, genuína e íntima.
4. Estabilidade e controle, dar estrutura ao mundo
É quando almejamos maior controle sobre as coisas e responsabilidade sobre o que construímos.
- Criador: ativo, compele a pessoa a inovar e criar, e ela pode se sentir sufocada quando não consegue.
- Prestativo: mais altruísta, guiado pela paixão e pelo anseio de ajudar o próximo.
- Governante: quem se mantém no comando e no controle; é responsável e sabe da sua importância.
Conclusão
Os arquétipos e símbolos de Carl Jung são possibilidades herdadas que moldam percepções, emoções e ações, dos mitos ancestrais às marcas que você consome hoje. Reconhecer qual arquétipo está ativo em você é um passo concreto de autoconhecimento.







